Satisfações ao concurso Sampa Foto Clube
[este texto refere-se ao concurso fotográfico entre os membros do Sampa Foto Clube (realizado internamente), ao qual fui convidado pelo seu diretor Rodrigo F. Pereira à participar da banca de jurados]Memorial Justificativo
Pra mim, fotografia não tem "se", nem "podia". O que está feito está pronto: o filho nasceu, está vivo e tem que ser cuidado e compreendido como ele é. Não vou ensinar a fazer outro melhor até aprender; a não ser que me paguem.
Usei critério cruel de eliminação: quando no meu entender a fotografia não atendeu ao tema "São Paulo por outros ângulos" ela foi desclassificada digitando a letra D (pra não doer muito). Não comentei tom, cor, se a nitidez foi obtida por resolução ou acutância, se faltou isso ou sobrou aquilo: ou funciona, ou não. Nota 10 ou nota 5 (com apenas uma honrosa excessão pra desopilar, permitam-me a incongruência obtusa).
Não procurei pêlo em ôvo, enxergo as imagens pelo figado, acho, assim não tenho idéia do que possa significar "Adequação técnica, Composição, Originalidade", usei só o "Critérios pessoais do avaliador". Geralmente não sou fácil de enganar, truques & artimanhas estétiticas de galinha não me impressionam, mas sempre notei que mesmo quando a falta de imaginação impera no fotógrafo algo vem não sei de onde e atira o apertador de botão num reino pra onde ele nem comprou passagem nem aprendeu as 1 ou 2 palavras básicas (palavrões) no manual de boas maneiras fotogênicas dos foruns brazucas. Esse acaso é belo e bom, e faz a diferença.
Aceitei a identificação do fotógrafo (pelo "estilo" reconhecível, talento para títulos ou pela marca d'água) pois não conheço ninguém daqui, além do chefe Rodrigo que me prometeu 1000 mulheres ligeiramente virgens e 01 café. Minhas opiniões podem ser revistas e atualizadas hoje mesmo, espero que ninguém com a cabeça no lugar permita.
O que eu gostaria mesmo era ver todas as fotos jogadas na mesa, com todos falando ao mesmo tempo, bebendo e rindo, osmoticamente compreendendo, assimilando sem aprender. Brigando com os jurados, jurando morte, ameaçando represálias, desrepresando antipatias, pedindo o cartão do advogado, planejando a pescaria, trocando lentes M42, doando câmeras velhas. Falar de foto aqui é angustiante, não pela falta de retorno, mas pelo silêncio gritado pelos saturados fótons. Quem sabe numa próxima.
