quarta-feira, 27 de junho de 2007

Satisfações ao concurso Sampa Foto Clube

[este texto refere-se ao concurso fotográfico entre os membros do Sampa Foto Clube (realizado internamente), ao qual fui convidado pelo seu diretor Rodrigo F. Pereira à participar da banca de jurados]

Memorial Justificativo

Pra mim, fotografia não tem "se", nem "podia". O que está feito está pronto: o filho nasceu, está vivo e tem que ser cuidado e compreendido como ele é. Não vou ensinar a fazer outro melhor até aprender; a não ser que me paguem.
Usei critério cruel de eliminação: quando no meu entender a fotografia não atendeu ao tema "São Paulo por outros ângulos" ela foi desclassificada digitando a letra D (pra não doer muito). Não comentei tom, cor, se a nitidez foi obtida por resolução ou acutância, se faltou isso ou sobrou aquilo: ou funciona, ou não. Nota 10 ou nota 5 (com apenas uma honrosa excessão pra desopilar, permitam-me a incongruência obtusa).
Não procurei pêlo em ôvo, enxergo as imagens pelo figado, acho, assim não tenho idéia do que possa significar "Adequação técnica, Composição, Originalidade", usei só o "Critérios pessoais do avaliador". Geralmente não sou fácil de enganar, truques & artimanhas estétiticas de galinha não me impressionam, mas sempre notei que mesmo quando a falta de imaginação impera no fotógrafo algo vem não sei de onde e atira o apertador de botão num reino pra onde ele nem comprou passagem nem aprendeu as 1 ou 2 palavras básicas (palavrões) no manual de boas maneiras fotogênicas dos foruns brazucas. Esse acaso é belo e bom, e faz a diferença.
Aceitei a identificação do fotógrafo (pelo "estilo" reconhecível, talento para títulos ou pela marca d'água) pois não conheço ninguém daqui, além do chefe Rodrigo que me prometeu 1000 mulheres ligeiramente virgens e 01 café. Minhas opiniões podem ser revistas e atualizadas hoje mesmo, espero que ninguém com a cabeça no lugar permita.

O que eu gostaria mesmo era ver todas as fotos jogadas na mesa, com todos falando ao mesmo tempo, bebendo e rindo, osmoticamente compreendendo, assimilando sem aprender. Brigando com os jurados, jurando morte, ameaçando represálias, desrepresando antipatias, pedindo o cartão do advogado, planejando a pescaria, trocando lentes M42, doando câmeras velhas. Falar de foto aqui é angustiante, não pela falta de retorno, mas pelo silêncio gritado pelos saturados fótons. Quem sabe numa próxima.

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terça-feira, 26 de junho de 2007

30 FRAMES POR SEGUNDO

Estático:

Não faz muito tempo a fabricante de equipamentos fotográficos Canon lançou seu modelo mais recente de câmera destinada ao uso em fotojornalismo. Essa pequena maravilha é capaz de capturar 10 frames por segundo a uma ótima resolução de 10 Megapixels (3,888 x 2,592 pixels).

A primeira coisa que me veio em mente com esse número mágico de 10 quadros por segundo é o cinema. Nossos olhos são capazes de distinguir como imagens separadas, uma sequência de até 24 quadros por segundo. Lembram-se dos filmes antigos, onde o movimento se dava aos solavancos? Acima desses 24 quadros, nosso olho (na verdade nossa mente) processa aquela sequência de quadros estáticos como um movimento contínuo. Essa é a mágica do movimento no cinema. Um filme hoje é feito a razão de 30 quadros por segundo, para dar a sensação de movimento perfeito.

Pois o que me espantou é o quanto próximo está uma pequena câmera fotográfica de se tornar uma caríssima câmera capaz de filmar cinema digital. Claro que me dirão que existem câmeras de filme que fotografam a essa razão. Mas claro que não é a mesma coisa. Já podemos dizer que não há limites físicos intransponíveis que nos impeçam de gravar milhares de frames contínuos.

E ainda pra fechar o pacote, essa câmera tem preview em tempo real. Igual a uma filmadora.

Mas eu não quero transformar uma câmera fotográfica em filmadora. Isso tudo é pra dizer o quanto próximo o cinema digital está de se tornar acessível.


Nítido:

Quem já viu projeção digital de cinema, certamente se espantou com a nitidez e a ausência de ruídos na imagem. Vejam bem, estou falando por enquanto somente de projeção. São filmes que podem ter sido gravados digitalmente ou não. Se for gravado em película, essa é escaneada para se tornar um arquivo de vídeo digital e projetada no cinema. Assim como os projetores multimídia e de Home Cinema.

Projetores como os Barco e os Christie destinados a isso, trabalham com resolução nativa de 2048x1080 pixels. Alguns dirão que é pouco 2 megapixels. Mas essa resolução na prática se torna muito melhor do que as cópias, da cópia, da cópia da película original que chega na sala de exibição. O filme projetado digitalmente, mesmo que escaneado da película, é uma cópia de primeira geração.


Móvel:

Chegamos ao cinema propriamente dito. A empresa Red Digital Cinema (http://www.red.com/index.php ) lançou este ano em Las Vegas na NAB (National Association of Broadcasters) uma câmera de cinema que grava a razão de 30 quadros por segundo, sobre um sensor de 12Megapixels (4520x2540 pixels), com tamanho físico de 24x13,7 mm ou seja, com crop de 1,5 sobre o frame de 35mm.

Mais do que isso, a grande revolução no equipamento está no custo. Um sistema completo de captação, lentes e armazenamento, que a pouco tempo custava cifras de centenas de milhares de dólares e ainda era grande e pesado, hoje é portável e custa 50.000 dólares. Parece muito, mas levando em consideração toda a cadeia de custos em cinema 35mm, é barato.

Os puristas que se queixavam do excesso de profundidade de campo, nos primeiros equipamentos de digital cinema, hoje serão satisfeitos, com o sensor grande dessa câmera.

Resolução também não é problema. Já que uma projeção de 2 Megapixels agrada nossos olhos, eu estou realmente louco para ver o que é um filme captado com esse sensor.

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