Estático:
Não faz muito tempo a fabricante de equipamentos fotográficos
Canon lançou seu modelo mais recente de câmera destinada ao uso em fotojornalismo. Essa pequena maravilha é capaz de capturar 10 frames por segundo a uma ótima resolução de 10 Megapixels (3,888 x 2,592 pixels).
A primeira coisa que me veio em mente com esse número mágico de 10 quadros por segundo é o cinema. Nossos olhos são capazes de distinguir como imagens separadas, uma sequência de até 24 quadros por segundo. Lembram-se dos filmes antigos, onde o movimento se dava aos solavancos? Acima desses 24 quadros, nosso olho (na verdade nossa mente) processa aquela sequência de quadros estáticos como um movimento contínuo. Essa é a mágica do movimento no cinema. Um filme hoje é feito a razão de 30 quadros por segundo, para dar a sensação de movimento perfeito.
Pois o que me espantou é o quanto próximo está uma pequena câmera fotográfica de se tornar uma caríssima câmera capaz de filmar cinema digital. Claro que me dirão que existem câmeras de filme que fotografam a essa razão. Mas claro que não é a mesma coisa. Já podemos dizer que não há limites físicos intransponíveis que nos impeçam de gravar milhares de frames contínuos.
E ainda pra fechar o pacote, essa câmera tem preview em tempo real. Igual a uma filmadora.
Mas eu não quero transformar uma câmera fotográfica em filmadora. Isso tudo é pra dizer o quanto próximo o cinema digital está de se tornar acessível.
Nítido:
Quem já viu projeção digital de cinema, certamente se espantou com a nitidez e a ausência de ruídos na imagem. Vejam bem, estou falando por enquanto somente de projeção. São filmes que podem ter sido gravados digitalmente ou não. Se for gravado em película, essa é escaneada para se tornar um arquivo de vídeo digital e projetada no cinema. Assim como os projetores multimídia e de Home Cinema.
Projetores como os
Barco e os
Christie destinados a isso, trabalham com resolução nativa de 2048x1080 pixels. Alguns dirão que é pouco 2 megapixels. Mas essa resolução na prática se torna muito melhor do que as cópias, da cópia, da cópia da película original que chega na sala de exibição. O filme projetado digitalmente, mesmo que escaneado da película, é uma cópia de primeira geração.
Móvel:
Chegamos ao cinema propriamente dito. A empresa Red Digital Cinema (
http://www.red.com/index.php ) lançou este ano em Las Vegas na NAB (National Association of Broadcasters) uma câmera de cinema que grava a razão de 30 quadros por segundo, sobre um sensor de 12Megapixels (4520x2540 pixels), com tamanho físico de 24x13,7 mm ou seja, com crop de 1,5 sobre o frame de 35mm.
Mais do que isso, a grande revolução no equipamento está no custo. Um sistema completo de captação, lentes e armazenamento, que a pouco tempo custava cifras de centenas de milhares de dólares e ainda era grande e pesado, hoje é portável e custa 50.000 dólares. Parece muito, mas levando em consideração toda a cadeia de custos em cinema 35mm, é barato.
Os puristas que se queixavam do excesso de profundidade de campo, nos primeiros equipamentos de digital cinema, hoje serão satisfeitos, com o sensor grande dessa câmera.
Resolução também não é problema. Já que uma projeção de 2 Megapixels agrada nossos olhos, eu estou realmente louco para ver o que é um filme captado com esse sensor.